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quarta-feira, 27 de maio de 2015


PRÓLOGO

Quando eu era criança, sempre achei que seria famosa, então tudo o que eu queria era crescer. Na adolescência, em meio a tantas mudanças, tudo o que eu queria era escrever um livro muito bom e me sentir bonita. 
Eu nunca fiz sentido e nem procurei resposta pras minhas loucuras.  Sonhos sempre fizeram parte de mim. Mas sempre me perguntei por quanto tempo deveria esperar ou até onde eu iria por eles. O meu maior medo sempre foi de não realiza-los e de no fim da minha vida, estar sentada em uma cadeira de balanço amargurando por tudo que não fizera. Minha avó sempre me dizia: "Lola, você sonha muito alto, um dia eles mesmos te derrubarão e você vai lembrar dessa velha aqui te avisando..." E eu nunca escutava. Pra ela, meus sonhos sempre foram meus maiores defeitos, mas para mim eles eram o que me faziam.....eu. 
E tudo isso me trouxe aqui, num fim de tarde com o sol laranja se despedindo por traz dos prédios de Nova Iorque que eu tanto amava. 60th st x Brewster RD. O taxista esperava pelo meu destino e eu não sabia o que falar. 
60th st x Brewster RD.
Na verdade, no fundo, eu já sabia pra onde eu queria ir. Mas não sabia se conseguiria deixar passar tudo o que eu sonhei. Um sonho por outro sonho, certo? Não se pode ter tudo.
O taxista me encarava.
Respirei fundo e disse o endereço.

sexta-feira, 7 de março de 2014

Ser sentimental sozinha








































O passarinho cantava insistentemente pro sol aparecer naquele dia nublado. Sentada naquela cafeteria perto de casa do papel de parede bonito e um cappuccino do paraíso, notava como tudo estava sem compasso. Era meio estranho estar sentada ali sozinha, adorava estar rodeada dos amigos, mas aquela sensação nova de existir sozinha parecia interessante. 
A vida deu umas voltas em linhas tortas, admite, nem tudo saiu como planejou, mas a felicidade está presente todos os dias assim que acorda e abre as janelas pra dar boas vindas ao sol. 
Algumas pessoas a cobravam por ser tão quieta, mas ela concordava com Pessoa: existe no silêncio tão profunda sabedoria que às vezes ele se transforma na mais perfeita resposta...
Tem sido uma bela luta pra controlar seus sentimentos; cada tropeço uma lágrima. Cada dia uma nova dor, mas no fim do dia tudo se acalma, ela encosta a cabeça no travesseiro e pensa na nova oportunidade do amanhã. É bom assim, viver um dia de cada vez.
Reparou como é bonito a cidade quando o dia nubla..E assim, no meio de um pensamento qualquer ela viu alguém. Ele tinha um jeito de andar que chamava atenção, o cabelo acompanhava toda a poesia que era seus movimentos, fazendo tudo assumir um ritmo que ela nunca tinha visto antes. Olhou em volta e viu que tudo seguia seu rumo, parecia que só ela tinha se prendido naquela poesia, só ela entendia. De repente ela queria dançar, puxar ele pro salão e rodopiar. Vamos dançar, ela diria. Vamos criar um lugar escondido, faríamos o nosso show. 
Começou a chover e pela primeira vez em muito tempo, ela se deixou molhar. Era boa aquela sensação, ela havia esquecido como era permitir molhar e não se importar. Ela jurava que conseguiu ver o sol naquele instante. Naquele momento, bem ali.
Nesse meio tempo ele passou e ela não viu. Levou toda a música com ele sem nem olhar pra traz. Talvez um tanto confiante de seus versos brilhantes passou; a encantou de canto a canto e foi.
Ainda fazia um tempo bom pra desperdiçar sentimentos. Ainda fazia um dia bonito, mesmo sem cor. Ainda dava pra enfeitar a vida com sentimentos, ela viu. Era um dia bom.