Mostrando postagens com marcador textos. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador textos. Mostrar todas as postagens

domingo, 7 de junho de 2015

Eu estou me tornando a minha mãe


É meio assustador você crescer e perceber suas similaridades com seus pais. Não se preocupe, é inevitável mesmo, você foi criado por eles. E tudo que você sabe do mundo, eles que te apresentaram.
Porém, eu tenho lá meus motivos pra ter um mini ataque em pensar que estou me tornando um xerox deles. Quando eu faço uma piada que minha mãe faria, provavelmente num churrasco de domingo, eu quero sair correndo e me enterrar em algum lugar e fingir que tal situação não aconteceu.
Não é louco? Todo esse trabalho na adolescência de ser o diferente, pra descobrir que você é igual seus pais! 
Ao mesmo tempo que é assustador, é esclarecedor. Você acaba percebendo como é difícil criar uma criança e quanto que eles renunciaram - as vezes não - por você. Um dia você era o bebê que eles tinham que fazer tudo e 13 anos depois acha que já conhece tudo sobre o mundo. E outra: como tudo é caro! E eles ainda arranjaram um jeito de te dar aquele presente que você tanto pediu (e ainda te alimentaram todos os dias) (e pagaram a sua internet) (e te levaram pra todos os lugares).
E eu penso; se eu tenho as minhas crises, imagina eles, com a minha idade (minha mãe se casou com 18/19 anos) tendo essas crises e com uma responsabilidade enorme de criar uma criança? E tendo que aguentar as crises de adolescente que sabe de tudo? Louco pensar nisso.
E ah, deixa eu te falar: a maioria das coisas que você acha serem universais, como separar as roupas em pilhas para lavar (cozinha, banheiro etc), colocar as facas de ponta cabeça no escorredor; na verdade não são universais, tem pessoas que não separam as roupas e que colocam os talheres todos jogados para secar. Você vai querer ligar pra sua mãe pra falar desses crimes.
Por isso, por mais falhos que nossos pais sejam, eles são incríveis. E pensando bem, ser igual eles talvez não seja algo tão ruim. Torço para que quando eu for uma adulta de verdade eu tenha metade da força deles. 

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Em cima do muro




















Era uma beleza ser criança. A gente acordava, tomava o café prontinho na mesa e ia pra escola. Aprendia algumas palavras e voltava pra casa ver desenhos e brincar até cansar. Pulava, brincava de bambolê e dormia.
No outro dia a mesma coisa. Encantador pensar como usávamos nossos dias sem pensar. E esse negócio de pensar foi ficando mais sério na medida que o tempo passava. Você começa a pensar nos seus defeitos e no que quer ser. E nesse meio aí você tem que ser forte porque dentro de você moram todos os sentimentos do mundo. Você pinta seu cabelo de colorido pra mostrar pra todo mundo como é diferente, mas na loja existem várias tintas da mesma cor e várias pessoas de outros anos e escolas compraram também. Que copiões!
Você escuta bandas, lê livros e se sente cheio, como se sentisse tudo, como se aquela amizade que você tem desde a quinta série fosse durar pra sempre. E não durou, assim como aquela sua mecha colorida. Você descobriu, no final, que nem era amizade de verdade e que a tinta colorida vai embora no ralo junto com as suas tão inocentes noções de mudança.
Sim, eu sei que até mês passado você tinha que pedir permissão pra ir ao banheiro, mas hoje você tem que assinar aqui, aqui e alí para te darmos esse papel pra você poder votar e a data de inscrição pro vestibular é só até amanhã.
Você passou, parabéns! Agora você precisa se preocupar em se tornar adulto. Que bom que você era bom aluno na escola e não tirava nenhuma nota baixa, agora deixa eu te explicar uma coisa: todo mundo aqui era assim, boa sorte.
Mas espera, senta aqui. É bem no meio dessa bagunça que você encontra pedacinhos da sua personalidade. Tudo começa a ser de verdade, as decepções, as desverdades; mas as felicidades também nunca foram mais verdadeiras. É, não dá saber o que fazer toda hora, mas ouvi dizer que com o tempo fica mais fácil.

terça-feira, 26 de agosto de 2014

Decisões








































Existem pessoas desnecessárias para o mundo, disso todo mundo sabe. Mas cabe a nós mesmos decidir quem tem papel principal na nossa vida e quem é apenas figurante.
Aprendi com o tempo a ignorar a fumaça, não a sugar pra depois cuspir em alguém sem culpa alguma. Muitas vezes ignorar é a melhor situação. É claro que você só aprende isso depois de tanto se desgastar absorvendo toda maldade que você é exposto. É tudo questão de saber tampar o nariz a tempo daquele cheiro ruim não te incomodar.
Mesmo que pareça injusto, depois, na hora que você encosta a cabeça no travesseiro e todas suas escolhas é tudo que te resta, você percebe está sozinha pra lidar com elas. Então não é tão injusto assim. Quando você começa a encarar a vida como sua vida, e suas consequências, você começa a parar de se importar com o que os outros pensam e começa a fazer as escolhas que você acha certo.
A gente percorre um longo caminho, mata um leão, cai na própria ignorância todo santo dia, então naturalmente chega um dia em que você começa a ter problemas de verdade e para de importar com aquelas coisas que te perturbavam antes. A insegurança adolescente acaba virando lenda quando você não tem mais a opção "dar pra alguém decidir pra mim". Você decide tudo e que se dane os outros. Você sabe o que está fazendo. Não se sente mais culpada de ser decidida e tomar as rédeas da sua vida. Afinal, a vida está aí pra ser construída e você não vai se deixar levar por quem perdeu sua chance e está tentando destruir a sua. Ou por quem só é negativo o tempo todo. Você só tapa o nariz e passa reto, deixando tudo isso que te incomodou um dia pra traz e segue em frente para novos desafios.

terça-feira, 11 de março de 2014

Se importar







































Eu e essa mania de viver se magoando com a rispidez alheia. Como não me acostumei com isso ainda? Acho que nunca irei, sempre tiro uma esperançazinha do bolso e assisto a pessoa atirar ela pela janela. Até perdi as contas de quantas vezes isso aconteceu.
Eu estou percebendo como é difícil deixar alguém ir. Como é difícil esse sentimento de uma mão só. Acaba com a gente, deixa o coração esfolado. Sabe, o mais difícil de aceitar é como as pessoas podem ser assim. O problema é que fica um buraco na gente, que eu não sei como preencher. Percebi que falar, espernear e gritar não adianta. Eu sempre tive essa esperança de um dia fazer a pessoa ver como eu vejo, mas eu percebi que isso nem sempre acontece e que, se está incomodado, é melhor ~pegar as coisas~ e sair. 
Eu realmente esgotei todas as minhas esperanças e não sei o quê fazer. Mas o mais engraçado é que ninguém realmente se importa, estão todos seguindo a vida e eu aqui, condenada a sentir. Antes eu me sentia muito sortuda por ser tão sentimental, mas hoje percebo que talvez não seja. Quiça seja um desafio continuar cheia de sentimentos depois de ter sido esvaziada tantas vezes. 
Percebo que aquela minha vontade de tomar um banho por dentro e deixar lavar tudo o que eu não queria sumiu. Eu decidi enfrentar meus problemas de frente, sem ser covarde; e isso vem sendo a fase mais difícil de todas, até agora. É difícil sonhar com uma coisa e ver que isso é meio que impossível de acontecer, pois nem tudo depende só de você, e, talvez a outra pessoa nem esteja tão interessada também. 
É custoso olhar o problema de frente, ver que aquilo realmente está ali, existindo e não tem uma forma de você consertar. Porque talvez não é pra ser consertado, é só pra ser e machucar, sem nem se importar. Deixar tudo jorrar e não tapar o buraco. Deixar tudo ir e nem sequer ver.
Mas no final do dia, naqueles últimos minutos antes de dormir, o que importa, realmente, não é se você perdeu a pessoa, mas se você não perdeu você mesmo.