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domingo, 4 de outubro de 2015

Sobre cobranças


 Nós temos uma paixão por romances que nos fascina. Quando vimos filmes, ou lemos livros, construímos, nem que seja no fundo da nossa alma, uma vontade de viver aquilo também. O primeiro filme que me causou impacto foi "Procurando Nemo"; eu tinha uma certa inveja do peixinho pelo qual o pai procurava sem desistir. Eu ansiava um amor como daquele pai pelo filho. Com o tempo, naturalmente, esqueci do filme. 
   Outro filme que eu me lembro de ver e ficar encantadíssima foi "Um amor para recordar". Clichê, claro, mas eu não conhecia muito do mundo na época - muito menos a palavra "clichê" - que vi esse filme e acreditava que tudo era possível (principalmente se havia um filme sobre isso).
   Óbvio que não sou desacreditada no mundo, e claro que tenho meus - incontáveis - sonhos mirabolantes. Porém, tudo o que somos, tudo no que acreditamos é uma construção. Tijolinhos colocados um por um que nos cercam e nos tornam um ser humano inteiro. Uns fomos nós mesmos que colocamos, outros foram nossos pais, nossos professores, nossos contextos e, finalmente, nossas escolhas, como livros, filmes e segmentos políticos etc.
   Temos consciência, muitas vezes, que temos ideia e conceitos sobre tudo, que temos opiniões autenticas e que temos que ser ouvidos; e talvez tenhamos mesmo. Mas temos que ter muito cuidado ao demandar algo de alguém. Será que nossa ideia de família é realmente nossa? E o que é um verdadeiro romance?
   Quando exigimos uma postura de alguém, temos que respeitar sua individualidade, e, queridos, sabemos que o mundo é grande e nunca para, e nossas definições de tudo está em constante mudança, e aqueles tijolinhos podem sim serem removidos e substituidos.
   Sempre fiquei irritada com algumas cobranças direcionadas a mim. Mas agora não tenho mais tanta raiva dessas cobranças mirabolantes de perfeição. Agora tenho consciência de que muitas vezes nossa consciência não é nossa, que nossos ideais e objetivos muitas vezes também não são nossos. Contra o mundo não posso fazer muito, mas sei que posso não repetir os erros que vejo pelo caminho.

domingo, 7 de junho de 2015

Sobre a fé


Eu sou fraca. Sou fraca quando não consigo seguir uma rotina e quando estou em uma também. Sou fraca quando continuo cometendo os mesmos erros sem perceber e quando continuo errando achando que aquela forma é o meu verdadeiro eu.
A questão é que todos somos fracos; isso não é mais uma desculpa. A não ser que você queira continuar nessa inconstância exaustiva que chamamos de "vida".
Como lidamos com a fraqueza? O que fazemos com ela? A reconhecemos e lamentamos; a reconhecemos e ficamos nela.
Ou essa fraqueza nos leva a Deus.
Não seria hipocrisia ficar correndo de volta para Deus assim que cometêssemos o pecado? Não. É nesse momento que deveríamos nos apegar mais a ele e crer nas suas promessas.
Eu anseio os dias em que serei livre dos pecados de hoje e serei a pessoa que quero ser.

quarta-feira, 15 de abril de 2015

Algumas observações





























Todos temos um ponto da vida que achamos que não temos nada. Pensamos que tudo que nos rodeia é tudo o que temos e o que nos define.
Observando minha vida hoje, penso que se eu desaparecesse, muitas coisas continuariam iguais. O sol continuaria nascendo e New York continuaria sendo incrível. Se eu não existisse talvez aquele meu professor nunca teria imaginado que alguém conseguiria ser tão ruim na sua matéria como eu. Se eu não estivesse por aqui, meus amigos talvez nunca teriam imaginado como alguém poder ser tão confusa, estranha, inconstante e sonhadora como eu.
Eu não sou incrível, não mereço nenhuma série escrita sobre mim ou uma página no wikipédia. Meus defeitos sobressaem minhas qualidades e minha imaginação muitas vezes passa dos limites. As vezes penso que nunca terei um trabalho em que eu me sinta totalmente satisfeita e que onde eu estou hoje não é onde eu deveria estar.
Tenho essa vontade imensa de largar tudo e deixar meus confortos and get out there. Quando penso no futuro, não tenho mais certeza do que quero ver. Já me imaginei professora de inglês na universidade; uma escritora muito bem sucedida com um livro virando filme; uma atriz e cantora muito famosa; vivendo o sonho de "take New York"; ou sendo mãe de três e morando numa casa grande com um cachorro. 
Já imaginei várias Déboras, mas não faço a minima ideia de qual me tornarei ou qual é a certa. Sempre tenho perguntas circulando pelas minhas poucas certezas, mas não deixo que elas me parem mais. Sei que amo cheiro de chuva e de ver o dia nascer, de andar de bicicleta e do som do ukulele. Sei que não quero ficar presa nessa cidade minha vida toda e que meu lugar é onde Deus estiver comigo, e ele está em todo lugar. Então, o mundo inteiro é uma opção. Mas, a felicidade é algo que todos buscamos, acredito que ela nos faz ser esse poço de sentimentos ambulantes, cheios de dúvidas e curiosidades. A busca incansável por nós mesmos nos torna quem somos. Hm.

sexta-feira, 13 de março de 2015

Inteira plenitude de Deus

Nós humanos não temos a capacidade de entender o sobrenatural de Deus. Tudo é possível para ele. O sobrenatural é natural para Deus! Não há nada difícil para Ele! Deus tem o poder para fazer tudo aquilo que imaginamos, ou melhor: fazer algo maior ainda. Como eu amo meu Pai!
Mas, por que ainda caímos no pecado? Quando estamos caminhando para a vontade dele tudo fica mais difícil e temos a tendencia a desistir?
Nossa natureza é fraca. Precisamos tanto de Deus que nem percebemos. Minha sede por santidade vem crescendo por um tempo. Entendo que preciso passar pelo meu vale, mas esse lugar parece infinito. Sei que tenho que aprender muitas coisas, então confio em Deus. Como diz a Bíblia, "passarei pelo vale e não temerei mal algum, porque tu estás comigo, a tua vara e o teu cajado me consolam."
Nós acreditamos que pela nossa fé Deus existe. Porém, Deus produz a existência da nossa fé! A Incredulidade de que algo pode acontecer conosco não está enraizado na ausência de fé. A raiz da incredulidade está enraizado na incerteza do quanto ele nos ama. Ele nos ama! E o amor de Deus não é algo que nós, pobre humanos, entendemos. Talvez esteja aí as nossas duvidas; como pode existir um amor tão grande, e eu, tão defeituosa, sou alvo dele? Eu, que quase ninguém nota, ser filha do Rei do mundo? Se a nossa fé não serve para nos fazer crer no grande amor de Deus por nós ela não vale pra quase nada. 
Deus não te ama pelo que você é ou pelo que você é capaz de fazer, ele nos ama por quem Ele é, por que Deus é amor. E ele não muda! Nada do que nós fazemos pode fazer com o que ele nos ame mais, e nada do que nós fazemos pode fazer que ele nos ame menos. Se a minha consciência me condena, maior e Ele que a minha consciência.
Talvez nós ficamos frustrados quando tudo dá errado porque nos preocupamos com o que Deus tem para nos dar. Com que família sonhamos, com que faculdades queremos. Mas e quem Ele é? Quem Ele é além do que ele pode nos  dar? Nosso pai é um Deus de milagres, mas mais importantes que milagres: Ele quer você! Ele quer a nossa vida para encher de alegria que vai além da compreensão! Saborear a plenitude de Deus, cara, imagina isso! Quando tivermos isso, tudo mais nos será acrescentado. 
A fé racional - pensamento positivo - não move montanhas. A fé sobrenatural é dom de Deus. Se você precisa de mais, peça a Ele! E permita que a fé que ele depositar no seu coração suba a sua mente, renove a sua mente.
Passamos boa parte da nossa vida preenchendo nossos vazios com coisas e pessoas, e as vezes nem percebemos! Mas tudo o que precisamos está em Deus. O reconhecimento de ninguém preenche o vazio. Lealdade aos seus problemas familiares, também não vai preencher seu vazio. Seu vazio é do exato tamanho de Deus.
Deus quer nos levar a uma nova dimensão espiritual, porém, para isso poder acontecer temos que olhar para o nosso vazio e admitir que estamos carentes. Lembrem-se: Deus não quer que você apenas assista histórias extraordinárias, ele quer que você VIVA histórias extraordinárias.

INSPIRADO NA PREGAÇÃO DE BIANCA TOLEDO 
NO CULTO MULHERES DIANTE DO TRONO - 28/05/2014 

sábado, 7 de março de 2015

Discernimento


As vezes me contradigo com o mundo. E as vezes comigo mesma. Isso anda acontecendo tão frequentemente que anda deixando de ser uma surpresa. Eu diria que ano passado foi um ano de descobertas. E esse é o ano de superações.
Superar medos, vergonhas e impossibilidades. O maior desafio está dentro da nossa mente. Superar os nossos próprios limites exige muita força de vontade. Superar aqueles pensamentos corriqueiros, jogar pro lado aquela forma que você queria se encaixar é algo que todos procuramos, né?
Mas será quer nos levamos a sério o bastante para ir até o fim? Para não nos importar mais com o que dizem? Ou mais: não nos importar com as expectativas e definições de certo/importante dos outros?
Quando nos comprometemos com a mudança esquecemos que não trata só da gente, mas de uma mudança de ponto de vista, tanto de você mesma quanto com a importância do que te falam. Se não tomarmos cuidado com o que escutamos e o que "digerimos" acabaremos cheias de coisas desnecessárias, opiniões subversivas e sem espaço para suas próprias coisas.
Não que seus amigos e parentes não sejam importantes, eles são! Mas nós sabemos que os que muitas vezes te colocam pra baixo ou acabam com suas expectativas são os que estão mais perto. Não podemos esquecer que alguns conselhos vem a calhar, mas também tem aqueles que são resultados de frustrações pessoais do outro impedindo que você realize as suas. Seja grato pelas pessoas a sua volta, mas seja grato também pelo seu discernimento.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2015


Ando desenvolvendo minha fé. Sobre o futuro já não tenho mais tanta pressa. Tenho sido grata por cada minuto.
Tenho aprendido a ser quem eu sou por eu mesma. Aprendi a não negar meus defeitos e trabalhar para mudá-los. Ando enfrentando meus medos e tentando agir de uma forma mais corajosa.
Minha ansiedade não me controla mais, pelo menos não como antes. Porém, meu nervosismo-pré-tudo anda tentando ganhar espaço.
Defino minhas prioridades e tiro memórias que não me ajudam a prosseguir. Ganhei uma vida nova e minhas más memorias e rancores têm sido jogados no mar do esquecimento. É tempo de mudança, é tempo de desenvolver o amor, a fé, a intimidade com Deus. Aprendi que os planos dele ninguém pode alterar. E que nada que eu faça O fará me amar mais. E nada do que eu fizer O fará me amar menos.
Gratidão.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

Inconstância




















Incrível como somos sensíveis pra algumas coisas e feito vidro para outras. Quando achamos que somos fortes, descobrimos uma coisa que nos faz feito cacos.
Quando penso no futuro, me imagino bem independente e feliz. Porém, quando criança, me imaginava uma menina de 20 anos bem diferente da que sou hoje. Não que eu não goste de quem eu seja, mas, talvez, não nos tornaremos quem esperamos ser. Talvez seus sonhos nem sejam seus sonhos, ou suas escolhas indicador de um bom caminho.
Pensamos que se formos bons e nos esforçarmos tudo acontecerá naturalmente. E acontecem. Inclusive mudanças. Tudo muda de lugar nesse meio tempo que temos entre o nascimento e a morte. Nunca considerei a ideia de mudar de sonhos. Sempre fui bem apegadas a eles. 
Mas e se os sonhos mudarem? E se o que importava perder a importância? É difícil aceitar tal atrocidade. Acreditamos que somos os nossos sonhos, e que só teremos sucessos se os realizarem. 
Realizar sonhos parece ser o objetivo de todos. Ter a aceitação de todos parece ser um objetivo. Porém, muitas vezes confundimos ideia de autenticidade com pulso firme, mesmo quando tudo mudou, você continua agarrado aquele mesmo pilar de certeza que sempre teve - pois, claro, você é firme nas suas ideias.
No meio desse mar de inconstâncias, nos perdemos e nos achamos múltiplas vezes. Algumas vezes nos surpreendendo nas perdas e desejamos ser outra pessoa. Repugnamos levianidades e preocupações esdruxulas, mas aceite: todos perdemos tempo com coisas inúteis. Como, por exemplo, perder o presente pensando demasiadamente no futuro. 

terça-feira, 26 de agosto de 2014

Decisões








































Existem pessoas desnecessárias para o mundo, disso todo mundo sabe. Mas cabe a nós mesmos decidir quem tem papel principal na nossa vida e quem é apenas figurante.
Aprendi com o tempo a ignorar a fumaça, não a sugar pra depois cuspir em alguém sem culpa alguma. Muitas vezes ignorar é a melhor situação. É claro que você só aprende isso depois de tanto se desgastar absorvendo toda maldade que você é exposto. É tudo questão de saber tampar o nariz a tempo daquele cheiro ruim não te incomodar.
Mesmo que pareça injusto, depois, na hora que você encosta a cabeça no travesseiro e todas suas escolhas é tudo que te resta, você percebe está sozinha pra lidar com elas. Então não é tão injusto assim. Quando você começa a encarar a vida como sua vida, e suas consequências, você começa a parar de se importar com o que os outros pensam e começa a fazer as escolhas que você acha certo.
A gente percorre um longo caminho, mata um leão, cai na própria ignorância todo santo dia, então naturalmente chega um dia em que você começa a ter problemas de verdade e para de importar com aquelas coisas que te perturbavam antes. A insegurança adolescente acaba virando lenda quando você não tem mais a opção "dar pra alguém decidir pra mim". Você decide tudo e que se dane os outros. Você sabe o que está fazendo. Não se sente mais culpada de ser decidida e tomar as rédeas da sua vida. Afinal, a vida está aí pra ser construída e você não vai se deixar levar por quem perdeu sua chance e está tentando destruir a sua. Ou por quem só é negativo o tempo todo. Você só tapa o nariz e passa reto, deixando tudo isso que te incomodou um dia pra traz e segue em frente para novos desafios.

domingo, 24 de agosto de 2014

Algo assim




























Quando você chega num ponto em que não sabe definir exatamente onde está, só sentir a correnteza te levar de lá pra cá, você se pergunta de que adianta todo aqueles obstáculos que você já superou, se agora nada daquilo te ajuda a prosseguir.
Sempre achei engraçado como a vida era, quando tudo estava ficando normal, não bom ou ótimo, mas suportável, algo acontecia e lá estava eu no chão de novo. Era como um lugar conhecido, porém eu nunca achei que voltaria lá. E o sentimento de falhar em algo aparentemente tão simples me fazia rir imaginando como eu iria atingir todos aqueles meus objetivos de vida sendo que sempre falhava no mesmo ponto..
Talvez essa minha mania de não aceitar nada quebrado esteja acabando comigo. Talvez só agora eu tenha percebido que isso é um defeito. Percebi que sou toda defeitos.
Enfim, tem sido dias complicados.

sexta-feira, 25 de julho de 2014








































Quando a gente tanta mudar alguma coisa, a gente tem certeza que só com aquela força do nosso braço a gente consegue mudar alguma coisa. Que só querer é poder. 
Talvez esse ditado funcione pra algumas coisas, porém não acredito que tenha o mesmo efeito pra pessoas. Pessoas são pequenos mundos. Mundos esses que muitas vezes pra você não faz sentido.
Já dei muito murro em ponta de faca por aí. Tem coisas que a gente não tem como mudar e eu ainda tenho dificuldades em entender isso. Não consigo apenas aceitar que tal coisa continuará da mesma forma, apesar dos meus esforços. 
A cada dia essa minha mania de tentar entender tudo anda se desfazendo. Assim como a chuva cai e leva as folhas velhas, o tempo e as experiencias vêm e levam a minha ingenuidade para os problemas. 

segunda-feira, 14 de julho de 2014

Sou flor,
a risada da terra
e você,
nuvem,
a timidez do céu.  
– Débora Monteiro

terça-feira, 8 de julho de 2014

Algumas coisas que percebi



















Desde que voltei de viagem as coisas parecem estar pedindo para serem mudadas. Me afastar por um tempo me fez ver coisas que eu não via quando estava aqui. 
Aquela falta que eu sentia de amizades perdidas, meus erros que eu repassava na minha cabeça todo santo dia, meus sonhos sem limites e meus sentimentos explosivos. Essas quatro coisas foram se esclarecendo mais a cada vez que eu pensava sobre isso nesse contexto diferente que eu estava. Me fez ver que era tempo de mudanças e que coisas melhores estavam sendo colocadas nos lugares dos meus vãos antigos. Eu estou sendo preenchida com o melhor que Deus tem pra mim. 
Estou aprendendo a me valorizar e valorizar quem está ao meu lado, aprendendo que eu não consigo estar certa sempre, e que sim, a minha vida tem concerto. Estou experimentando um pouquinho de como é a verdadeira felicidade. Sem precisar de coisas materiais e de mendigar atenção de ninguém. 
Estou deixando pra traz tudo aquilo que pesava e não me deixava prosseguir. Algumas coisas que eu achava necessárias para minha caminhada revelaram-se descartáveis; algumas pessoas estão nesse meio. Observei que realmente existem pessoas que tiram o melhor de você e não estão nem aí; fingem que nada aconteceu.
Talvez a culpa seja minha mesmo, quem mandou cair de cabeça em tudo. Porém, agora tenho minhas cicatrizes como lembrete para tomar cuidado
Embora eu tenha me machucado bastante pelo caminho, não culpo ninguém por nada. São minhas cicatrizes e quem as fez teve seus porquês. Não julgarei mais, percebi que tenho defeitos demais pra isso. E outra, sempre que tentava ajudar alguém, acabava com alguma patada bem no meio da testa. Todos perdidos em seus planetas e eu tentando ajudar. Onde eu estava com a cabeça? Não em cima do pescoço.
Então, sim, ainda tenho esperanças de ter umas amizades de volta e até repensar uns sonhos que se perderam, mas não sofrerei mais por isso. Sou muito, muito grata por tudo que tenho agora e não ficarei perdendo tempo chorando pelos meus perdidos, não vale a pena.  

quarta-feira, 18 de junho de 2014

Some words for someone



















Oi. Estou te escrevendo só pra te avisar que to com problemas no coração. Ele anda pulando por um cara. Bem parecido com você, aliás. Com esse mesmo tom castanho de olhos e cabelos meio acobreados que ficam parecendo chamas no sol. Ah, sem esquecer da risada solta e das manias engraçadas.
Ele também gosta de falar de curiosidades inúteis e do tempo. Gosta de combinar as meias com a camiseta e pentear o cabelo pro lado. Quando chove ele acha que é um crime sair de casa; acha que o chocolate quente fica mais saboroso nessa época. Discordo, não há nada mais saboroso do que um matte.
Ele implica com essas minhas pequenas manias de outro mundo e com a minha coleção de batom vermelho. Ele anda do meu lado como se fosse a coisa mais fácil do mundo e não tem medo de olhar nos olhos. Ele não torce pra nenhum time mas gosta de jogar Sudoku. Sim, o pior jogo inventado de todos os tempos - talvez, só talvez, ele tenha mal gosto para jogos.
Quando viajamos juntos com um grupo de amigos, ele ganhou uma cicatriz na mão direita no metrô movimentado de São Paulo. Percebi que tinha algo de diferente quando ele me puxou pra dançar naquele restaurante que eu não lembro qual no centro de cidade; só lembro que a música era daquelas que a voz do cantor é alta demais e a palavra baby e darling competem pra ver quem aparece mais na letra. O chão do lugar combinava estranhamente com as cortinas. Nós comemos um prato com condimentos demais e pedimos sorvete pra tentar salvar a noite. Acabamos comendo Doritos com Fanta no sofá do hotel assistindo aqueles filmes ruins da madrugada. Sempre sobre famílias estranhas. 
Quando me peguei falando sobre cada detalhe dele para todo mundo, fazendo planos de viagens e comprando cada coisa que me lembrava dele percebi que já era tarde demais para tentar reverter a situação. Fui caindo na rede dele, como quem se aconchega no sofá aos pouquinhos e acaba sonhando. Ele escuta todas as minhas especulações e me faz perguntas que eu não sei responder. Assim, aos pouquinhos, percebi que ele era meu número.
Como você sabe eu sempre transformo tudo e palavras; elas sempre me completam. Coloquei tudo em letras, construí pra você um esboço de como anda aqui dentro. Você me conhece de cor e de traz pra frente. Estou transbordando insegurança, como sempre, então estou te escrevendo. Me responda, talvez com uma daquelas suas perguntas que me deixam sem resposta ou até uma piada sobre meu batom vermelho. Saudades.

quinta-feira, 5 de junho de 2014

Dear eighteen


Desculpe pelas tantas expectativas e pressões que coloquei em você. Desculpe por colocar em você responsabilidades minhas e por ser tão tola.
Tenho muito o que te agradecer. Muito obrigado por ter sido um das idades mais estranhas de ter - e isso é bom! Aquela que tira a gente da nossa zona de conforto mas mostra outra forma de vida. Você foi o começo definitivo das mudanças, não dá pra negar. Obrigado por ter sido tão discreto, fazendo mudanças aqui e ali que eu só percebi depois.
Desculpe pelas minhas poucas, porém singelas, palavrinhas. Elas não são das muito fortes, não são de sair por aí explodindo paredes e dando na cara das pessoas, mas eu gosto delas. Aprendi com você a gostar. Muito obrigado pelas experiencias. 

sexta-feira, 30 de maio de 2014

Conversa com a parede








































Quando a gente convive com a loucura e a insensibilidade todos os dias a gente luta pra não se acostumar e ficar assim também. Não se tornar aquele monstro que tanto nos aterrorizou. 
Cheguei a conclusão de que quem convive num espaço tão conturbado não tem como não se ferir, não tem como ficar alheio e a tudo e escapar das consequências. Ignorar nunca faz desaparecer.
A pior parte de tudo é ver, bem na sua frente, a situação não mudar. E você ali, com toda a sua insignificância apenas sendo um objeto da cena, sem importância. Dói, bem lá no fundo. Num lugar que já tem tanta cicatriz que agora a testa anda dando lugares pra elas. Ali, expostas, todos podem vê-las. Alguns especulam que é sua culpa, outros sentem pena.
Quando o sol bate todos podem ver com clareza meus olhos cansados e fundos combinando com as incertezas da minha cabeça. Olhos escuros, da cor da noite. Aquele olhar tipico de quem já teve suas esperanças esfregadas na lama tantas vezes. 
Aquela esperança que luta pra ficar viva, mas que sabe, coitada, que está sozinha nesse jogo. Ela já foi deixada de lado faz tempo por todos que já se acostumaram com o modo automático, só os tolos ainda guardam as suas. Os tolos sempre tolos. 
Os tolos nunca desistem, por maiores que as cicatrizes fiquem. Pois sabem que no final de tudo, ganha 
quem persiste, 
quem
quem sente.
Os tolos.

quinta-feira, 29 de maio de 2014

Manias


E essa mania de achar que estamos sempre certos? Essa mania de andar sem olhar pros lados ainda ia me levar a um grande tombo. Engraçado como e avida nos exige tanto de uma hora pra outra. Parece que foi ontem mesmo que eu me preocupava com que roupa ir na escola e agora tenho prazos de textos para cumprir e trabalhos enormes para desenvolver. A responsabilidade chega e as desculpas adolescentes saem pelos fundos; os dois não ocupam o mesmo espaço. Pena que ninguém me avisou que seria assim.
Na verdade, as maiores transformações que eu passei não tiveram avisos prévios, apenas chegaram tomando seus lugares e bagunçando tudo. Quando eu já estava me acostumando com uma e pondo tudo no lugar: PÁ, uma rasteira, a vida chegando pra quem mal tinha saído da fase okay-eu-não-me-importo-com-o-que-você-acha-de-mim. Entre tombos e surpresas, sonhos são desfeitos e a realidade é colocada na sua frente. Ela é diferente do que você pensava, não dá pra ignorar um negócio desse tamanho, você não supera isso apenas com um pulinho. 
Aquela frase de Amélie Poulain nunca fez tanto sentido. Sim, são tempos difíceis para sonhadores. Mas isso não significa que temos de desistir só porque alguém disse que não ia dar certo ou porque vimos o tamanho do problema; só que agora nós sabemos que o nosso happy ending não está logo alí, virando a esquina e não existem atalhos. Bom, existem, mas não são para todos.

sexta-feira, 9 de maio de 2014

Sonhos e certezas



















Troquei de cor favorita e mudei o caminho que eu fazia todos os dias. Deletei as músicas que eu gostava e procurei outras.
Andei trocando umas certezas por sonhos e me sinto bem assim. Não exigirei tanto de mim mais, farei o meu melhor, mas agora ficarei satisfeita. Me convenci que não existe formula para realizar os sonhos e que a vida adulta chega pra todo mundo.
Nunca estou 100% vazia, meus textos estão aqui, registrados. Talvez camuflados em frases confusas que ninguém entende, só eu, mas mesmo assim. Será bom saber, lá no futuro, como eu pensava nessa época mais confusa.
Sobre ser adulta: ainda estou insegura. É como andar de saltos, me sinto estranha, dói, mas parece certo, se encaixa melhor em certas situações. Não dá pra ser sempre a garota de all star.
Experimentar novas coisas me deixam com medo, mas empolgada. E eu adoro isso. Ouvi dizer que todo começo de nova fase é assim.



Fase de Pensar





















Vivo numa dessas quase toda semana. A pior parte de tudo é não saber se estou indo pelos trilhos certos ou se nem era pra seguir viagem; talvez só fosse pra parar e observar a paisagem. 
Tenho particularidades com o overthinking e não entender muito sobre assuntos profundos para os outros. Olhando de fora parece tão simples, assim como os outros olhando de fora os meus problemas, para eles, parecem simples. "Você não entende". Talvez eu entenda melhor do que ninguém, pois eu os vivo.
Então, depois de tanto observar e ver que ninguém - muitas vezes - entende ninguém, parei de julgar. Bom, não exatamente julgar, mas....é que a vida é tão mais do que isso. Se alguém te entende: ótimo. se a pessoa não te entende: ela não é obrigada. Não a force demais, isso não é justo. E cá pra nós, todo mundo tem uma história diferente e chegaram aqui por caminhos diferentes, acredito que achar alguém que interprete seus problemas da mesma forma que você aproxima-se de uma descoberta. Não que eu ache que isso nunca aconteça, longe de mim duvidar da vida, é só que nós exigimos demais de tudo e de todos, menos de nós mesmos. Ninguém é obrigado a nada e não estão errados se não te entenderem. "Eles deveriam me tratar melhor" "Hoje deveria estar chovendo" "Esse professor só pode estar de brincadeira" "Ela realmente disse isso ou" "Ela não deveria agir assim". 
Cut 
the 
crap
Ninguém é perfeito. Obvio que isso não significa que esteja permitido ser um inconsequente sem escrúpulos, mas você entendeu. Cada um vive sua histórias e sabe quais caminhos passou e por onde não quer voltar, então pare de tentar fazer todo o mundo entrar na sua caixinha. Andei pensando e realmente temos uma mania de carregar os problemas por aí como se eles fossem essenciais. Pois não são; estou deixando tudo na estrada e seguindo em frente. Tchau

terça-feira, 15 de abril de 2014

Aquelas palavrinhas



















Eu sempre gostei de tentar me entender, justificar minhas atitudes e meus momentos de silêncio que nem se me perguntarem quanto é um mais um eu responderei. Percebi que coisas obvias muitas vezes me irritam, e nem adianta me perguntar pois não sei porquê. 
A vida trata de dar tantas voltas, e eu, trouxa, achei que comigo não aconteceria. Achei que estava num caminho sem retorno e que de agora em diante eram só caminhos novos e planos. Pois é, dei de cara no chão, como sempre. Tudo isso parece sem sentido e, acredite, está muito mais confuso pra mim. 
Sempre achei estranho me definirem, principalmente pessoas que eu não conheço muito bem. Teve uma época que meu eu exigia definições externas de mim mesma para que eu pudesse me situar, mas agora eu acabei me perdendo e soltei meu eu dentro dessa caixinha de palavras intitulada "Débora" e agora está tudo misturado. Tudo grudou em mim. 
O modo como me vêm é quem eu sou? Quem eu passo ser é como eu quero ser lembrada? Quando mais de uma pessoa pensa algo a meu respeito que eu não concordo muito, fico preocupada. O meu passatempo agora anda sendo tirar de mim as palavras que não me agradam e deixando apenas aquelas que me "representam". Dizem que definir é se limitar, pois bem. No momento só estou definindo meus defeitos e dificuldades; minhas poucas qualidades eu deixo num canto e me preocupo com elas depois. Não preciso ser quem querem que eu seja.

quarta-feira, 9 de abril de 2014

Direção



























Estou tomando as rédeas da minha vida, estou no controle de tudo agora. Ou quase. A sensação é libertadora, mas ao mesmo tempo sinto um frio na barriga, um tal de nervosismo que eu sempre tive mas nesses dias anda num grau elevado. 
Partindo de hoje não estou mais apoiada apenas nas minhas pequenas certezas, achando que a vida me deve algo. Ando por ruas desconhecidas e pego ônibus sem destino. Conduzo, agora, o percurso pro futuro e eu decido por onde ir. Tudo que me atrapalha ou só faz barulho estou colocando pra fora, deixando na beira da estrada pra tomar seu próprio caminho. É assustador, mas gosto desse sentimento de ter que construir meu caminho e segui-lo sozinha. 
Nunca achei que era assim, estar rodeada de pessoas mas cada um num mundo diferente; todos apenas com um fator mutuo: a sede de desbravar caminhos e vontades diferentes. Se desafiar e superar as barrerias, não só encará-las e dizer que parece impossível, mas ir lá e provar a bruma de novas experiencias. Nada mais eficaz do que aprender caindo bem de cara no chão.
Estar no controle de tudo é purificador e tem seus riscos, mas a melhor parte dessa loucura toda é que você decide quando parar.