domingo, 4 de outubro de 2015

Sobre cobranças


 Nós temos uma paixão por romances que nos fascina. Quando vimos filmes, ou lemos livros, construímos, nem que seja no fundo da nossa alma, uma vontade de viver aquilo também. O primeiro filme que me causou impacto foi "Procurando Nemo"; eu tinha uma certa inveja do peixinho pelo qual o pai procurava sem desistir. Eu ansiava um amor como daquele pai pelo filho. Com o tempo, naturalmente, esqueci do filme. 
   Outro filme que eu me lembro de ver e ficar encantadíssima foi "Um amor para recordar". Clichê, claro, mas eu não conhecia muito do mundo na época - muito menos a palavra "clichê" - que vi esse filme e acreditava que tudo era possível (principalmente se havia um filme sobre isso).
   Óbvio que não sou desacreditada no mundo, e claro que tenho meus - incontáveis - sonhos mirabolantes. Porém, tudo o que somos, tudo no que acreditamos é uma construção. Tijolinhos colocados um por um que nos cercam e nos tornam um ser humano inteiro. Uns fomos nós mesmos que colocamos, outros foram nossos pais, nossos professores, nossos contextos e, finalmente, nossas escolhas, como livros, filmes e segmentos políticos etc.
   Temos consciência, muitas vezes, que temos ideia e conceitos sobre tudo, que temos opiniões autenticas e que temos que ser ouvidos; e talvez tenhamos mesmo. Mas temos que ter muito cuidado ao demandar algo de alguém. Será que nossa ideia de família é realmente nossa? E o que é um verdadeiro romance?
   Quando exigimos uma postura de alguém, temos que respeitar sua individualidade, e, queridos, sabemos que o mundo é grande e nunca para, e nossas definições de tudo está em constante mudança, e aqueles tijolinhos podem sim serem removidos e substituidos.
   Sempre fiquei irritada com algumas cobranças direcionadas a mim. Mas agora não tenho mais tanta raiva dessas cobranças mirabolantes de perfeição. Agora tenho consciência de que muitas vezes nossa consciência não é nossa, que nossos ideais e objetivos muitas vezes também não são nossos. Contra o mundo não posso fazer muito, mas sei que posso não repetir os erros que vejo pelo caminho.

domingo, 7 de junho de 2015

Eu estou me tornando a minha mãe


É meio assustador você crescer e perceber suas similaridades com seus pais. Não se preocupe, é inevitável mesmo, você foi criado por eles. E tudo que você sabe do mundo, eles que te apresentaram.
Porém, eu tenho lá meus motivos pra ter um mini ataque em pensar que estou me tornando um xerox deles. Quando eu faço uma piada que minha mãe faria, provavelmente num churrasco de domingo, eu quero sair correndo e me enterrar em algum lugar e fingir que tal situação não aconteceu.
Não é louco? Todo esse trabalho na adolescência de ser o diferente, pra descobrir que você é igual seus pais! 
Ao mesmo tempo que é assustador, é esclarecedor. Você acaba percebendo como é difícil criar uma criança e quanto que eles renunciaram - as vezes não - por você. Um dia você era o bebê que eles tinham que fazer tudo e 13 anos depois acha que já conhece tudo sobre o mundo. E outra: como tudo é caro! E eles ainda arranjaram um jeito de te dar aquele presente que você tanto pediu (e ainda te alimentaram todos os dias) (e pagaram a sua internet) (e te levaram pra todos os lugares).
E eu penso; se eu tenho as minhas crises, imagina eles, com a minha idade (minha mãe se casou com 18/19 anos) tendo essas crises e com uma responsabilidade enorme de criar uma criança? E tendo que aguentar as crises de adolescente que sabe de tudo? Louco pensar nisso.
E ah, deixa eu te falar: a maioria das coisas que você acha serem universais, como separar as roupas em pilhas para lavar (cozinha, banheiro etc), colocar as facas de ponta cabeça no escorredor; na verdade não são universais, tem pessoas que não separam as roupas e que colocam os talheres todos jogados para secar. Você vai querer ligar pra sua mãe pra falar desses crimes.
Por isso, por mais falhos que nossos pais sejam, eles são incríveis. E pensando bem, ser igual eles talvez não seja algo tão ruim. Torço para que quando eu for uma adulta de verdade eu tenha metade da força deles. 

Sobre a fé


Eu sou fraca. Sou fraca quando não consigo seguir uma rotina e quando estou em uma também. Sou fraca quando continuo cometendo os mesmos erros sem perceber e quando continuo errando achando que aquela forma é o meu verdadeiro eu.
A questão é que todos somos fracos; isso não é mais uma desculpa. A não ser que você queira continuar nessa inconstância exaustiva que chamamos de "vida".
Como lidamos com a fraqueza? O que fazemos com ela? A reconhecemos e lamentamos; a reconhecemos e ficamos nela.
Ou essa fraqueza nos leva a Deus.
Não seria hipocrisia ficar correndo de volta para Deus assim que cometêssemos o pecado? Não. É nesse momento que deveríamos nos apegar mais a ele e crer nas suas promessas.
Eu anseio os dias em que serei livre dos pecados de hoje e serei a pessoa que quero ser.

quarta-feira, 27 de maio de 2015


PRÓLOGO

Quando eu era criança, sempre achei que seria famosa, então tudo o que eu queria era crescer. Na adolescência, em meio a tantas mudanças, tudo o que eu queria era escrever um livro muito bom e me sentir bonita. 
Eu nunca fiz sentido e nem procurei resposta pras minhas loucuras.  Sonhos sempre fizeram parte de mim. Mas sempre me perguntei por quanto tempo deveria esperar ou até onde eu iria por eles. O meu maior medo sempre foi de não realiza-los e de no fim da minha vida, estar sentada em uma cadeira de balanço amargurando por tudo que não fizera. Minha avó sempre me dizia: "Lola, você sonha muito alto, um dia eles mesmos te derrubarão e você vai lembrar dessa velha aqui te avisando..." E eu nunca escutava. Pra ela, meus sonhos sempre foram meus maiores defeitos, mas para mim eles eram o que me faziam.....eu. 
E tudo isso me trouxe aqui, num fim de tarde com o sol laranja se despedindo por traz dos prédios de Nova Iorque que eu tanto amava. 60th st x Brewster RD. O taxista esperava pelo meu destino e eu não sabia o que falar. 
60th st x Brewster RD.
Na verdade, no fundo, eu já sabia pra onde eu queria ir. Mas não sabia se conseguiria deixar passar tudo o que eu sonhei. Um sonho por outro sonho, certo? Não se pode ter tudo.
O taxista me encarava.
Respirei fundo e disse o endereço.

terça-feira, 5 de maio de 2015

Confusion

I've tried to be strong, I swear. But everytime the strings get pulled, I just get destroyed. I try, everyday, to be a strong girl, a super woman. But I'm no super anything. I just try to live with my little pieces and some happyness I stll own.
I may be dramatic, but I'm just trying to keep looking forward. I'm trying to not let the doubts stop me. My lack of confidence is just a stone in the middle of the road.
Isn't crazy that right now the world still rotating and the sun will raise in the morning? Even when in the inside I feel from another world? It's scary how we end up in some places and we're not sure where we're going.
I don't believe in myself, sometimes I pretend I do. But I know that this is a big problem and I'm not the only one that doubt about my skills and promisses. I am willing to improve it; I just started it and I realize it's not an easy thing. It's a long road.
I'm tired of fighting. Although it's for my own growth. 
May the Lord help me.

domingo, 26 de abril de 2015

Sobre escolhas


Quanto tempo um coração continua amando alguém sem ganhar nenhum estimulo, ou que seja uma pontada de esperança? Quanto tempo um coração continua perseverante quando todas as setas apontam para o final?
Nós, estúpidos humanos, temos uma coisa chamada esperança, que sempre vem acompanhada com a perseverança. Quando as duas estão juntas, ninguém - e quando eu digo ninguém, é ninguém mesmo, - nem a realidade, pode fazê-las desistir.
Uma luta liderada por essa dupla pode ter dois destinos: total sucesso, no qual o objetivo é alcançado, ou um tombo dilacerante, quando próximo do final, descobre-se que o objetivo final não estava lá, que toda aquela luta foi em vão.
Mas nós, incríveis humanos conseguimos nos reconstruir, mesmo que de pedaços, para novas batalhas. A minha pergunta é: qual o limite do nosso coração? Chega uma hora em que ele para de funcionar, assim como um brinquedo velho ou ele ressurge das cinzas novinho em folha? Até onde o nosso coração vai? Até onde, além do coração, a nossa mente pode aguentar?
Aprendi quem em papo de coração não existem extremos. Aquela questão da dualidade: uma coisa é uma coisa, e a outra coisa também é a outra coisa. O que eu quero dizer é que o nosso coração, talvez, depois de um tempo comece a funcionar de novo, talvez, lá no fundo ele tenha achado mais alguma energia daquela bateria velha. Ou ele simplesmente para, larga aquela duplinha pra fora e só decide fazer o que ele, cientificamente, tem que fazer: bombear o sangue para o corpo inteiro. Ou ele ainda consiga funcionar, em trupicos, depois de tantas quedas, porém continua firme.
Não existe resposta certa, você pode ter lido todos os livros, ter visto de tudo, mas você nunca tem uma resposta direita. Me pergunto qual deveria ser o próximo passo, se deveria largar o remo ou continuar remando. Ou simplesmente sair do barco. Várias respostas aparecem, várias pessoas tiveram várias experiências, mas nós sabemos que nada do que disserem torna a decisão mais fácil ou o medo de errar sumir.
Sabe, talvez seja por isso que nós vivamos sentindo saudades da infância, onde não tínhamos que fazer tais decisões e ter a responsabilidade de continuar remando. Ou quando eramos crianças, não viamos a hora de sermos adultos para experimentar a sensação de remar. Nós nunca estamos satisfeitos, nós devaneamos tanto em nossas outras opções, em nossas outras hipotéticas vidas, que acabamos não vivendo, não crescendo. Perdemos, sempre, a oportunidade de seguir em frente, preocupados com o futuro, e com passado que já se foi. Algumas vezes, por causa dessas preocupações, deixamos que alguém tome decisões por nós.
Acredito, humildemente, que temos que assumir os riscos. Chega uma hora em que, mesmo que a situação pareça perdida, devemos perseverar. Mesmo quando nada aponta para uma solução, temos que ter esperança. E, o mais difícil, quando vimos que uma situação não tem mais sentido, anda em círculos, temos que ter a coragem de pegar a tesoura e cortar o fio de ligação. Sacrificar. Temos que ter a coragem de admitir para nós mesmos que acabou e não podemos fazer mais nada. 
E nós, talvez um dia, saberemos se foi a coisa certa a melhor coisa a se fazer. As outras possibilidades somem quando você toma uma decisão e aquela opção passa a ser sua realidade. Fazer escolhas não é fácil, acertar é incrível, errar é doloroso. Mas só assim descobrimos quem somos.

quarta-feira, 15 de abril de 2015

Algumas observações





























Todos temos um ponto da vida que achamos que não temos nada. Pensamos que tudo que nos rodeia é tudo o que temos e o que nos define.
Observando minha vida hoje, penso que se eu desaparecesse, muitas coisas continuariam iguais. O sol continuaria nascendo e New York continuaria sendo incrível. Se eu não existisse talvez aquele meu professor nunca teria imaginado que alguém conseguiria ser tão ruim na sua matéria como eu. Se eu não estivesse por aqui, meus amigos talvez nunca teriam imaginado como alguém poder ser tão confusa, estranha, inconstante e sonhadora como eu.
Eu não sou incrível, não mereço nenhuma série escrita sobre mim ou uma página no wikipédia. Meus defeitos sobressaem minhas qualidades e minha imaginação muitas vezes passa dos limites. As vezes penso que nunca terei um trabalho em que eu me sinta totalmente satisfeita e que onde eu estou hoje não é onde eu deveria estar.
Tenho essa vontade imensa de largar tudo e deixar meus confortos and get out there. Quando penso no futuro, não tenho mais certeza do que quero ver. Já me imaginei professora de inglês na universidade; uma escritora muito bem sucedida com um livro virando filme; uma atriz e cantora muito famosa; vivendo o sonho de "take New York"; ou sendo mãe de três e morando numa casa grande com um cachorro. 
Já imaginei várias Déboras, mas não faço a minima ideia de qual me tornarei ou qual é a certa. Sempre tenho perguntas circulando pelas minhas poucas certezas, mas não deixo que elas me parem mais. Sei que amo cheiro de chuva e de ver o dia nascer, de andar de bicicleta e do som do ukulele. Sei que não quero ficar presa nessa cidade minha vida toda e que meu lugar é onde Deus estiver comigo, e ele está em todo lugar. Então, o mundo inteiro é uma opção. Mas, a felicidade é algo que todos buscamos, acredito que ela nos faz ser esse poço de sentimentos ambulantes, cheios de dúvidas e curiosidades. A busca incansável por nós mesmos nos torna quem somos. Hm.